MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA

mapa_mutilacao620Quando nascer mulher é  o pior castigo

Quando tomei contato com esse assunto pela primeira vez, há muitos anos, pensei que isso fosse apenas um fenômeno cultural restrito a algumas tribos de algum país africano, ou seja, algo pequeno e que com o tempo e a modernização do mundo, acabaria por desaparecer. Mas este é o papel da mídia de massa: maquiar ou manipular a informação para que a mesma se torne menos impactante ao telespectador. Isso quando a informação não é sonegada.


11043080_704951989615832_1477422616555520812_nUMA BOA NOTÍCIA!

Última semana de maio de 2015. Uma semana para ser lembrada. Um recado poderoso foi dado para outros 26 países Africanos onde essa prática insana ainda prevalece. Um pequeno passo para a África, mas uma vitória significativa para todas as mulheres e para a humanidade. Ainda há muito a ser feito, um longo caminho, na verdade, mas o primeiro passo foi dado. Veja matéria traduzida no link abaixo:

http://www.brasilpost.com.br/2015/05/28/mutilacao-genital-nigeria_n_7463092.html?ncid=fcbklnkbrhpmg00000004

http://www.ibtimes.com/nigeria-bans-female-genital-mutilation-african-powerhouse-sends-powerful-signal-about-1938913

Eduardo Lbm


0,,36210828,00Uma menina a cada quatro minutos

Fiz uma busca (pesquisa) e não consegui encontrar números confiáveis, mas há uma estimativa de que uma menina a cada quatro minutos é mutilada. Isso totaliza algo em torno de cento e trinta mil meninas por ano, mas há outras fontes que falam de números bem maiores. Não vou aqui entrar em detalhes a respeito do assunto, porque há um farto material na Internet para que o leitor faça suas próprias pesquisas. O que vou fazer neste post é questionar o porquê de tamanha crueldade e quais as raízes disso.


8861496_Fe7YPMutiladas pelas próprias mães

Como é que um procedimento imbecil e estúpido como esse permanece sendo praticado há tanto tempo e continuará sendo praticado ainda por muito mais tempo? Qual é o mecanismo físico, psicológico, filosófico ou religioso que perpetua essa prática? Exatamente o mesmo que perpetua a prática de se contar a historinha do Jardim do Éden para crianças de três, quatro ou cinco anos de idade em nossa cultura ocidental. Esse mecanismo chama-se tradição. Seu avô contou a historinha para seu pai, que contou para você, você contou para seu filho e seu filho contará para seu neto e assim por diante. Não são pessoas de fora ou estranhos que fazem isso. São pais, mães, tios, avós, irmãos mais velhos… Ou seja, são pessoas do mais alto grau de confiança afetiva e emocional. Lá na cultura deles, quem mutila as meninas, são as próprias mães, as tias, as avós… São as pessoas que deveriam dar amor, carinho e proteção. E elas dizem às filhas que tem que ser assim porque isso é bom, porque se não for assim elas não arrumarão marido e ficarão perdidas, etc, etc. Um recado social muito claro é passado para a criança com essa prática. O recado é:


Aqui não há amor, carinho ou proteção, não há em quem confiar nem em quem se apoiar!


muslim_marriageAbrindo a mercadoria

E o homem que cresce e vive nessa cultura, como vivencia tudo isso? É óbvio que ele também não sabe o que é amor, carinho, proteção. Quando ele crescer, ele irá tomar uma mulher que tenha sido mutilada (se não foi mutilada, não serve) e irá estuprá-la todos os dias pelo resto da vida. Sim, estupro, literalmente, porque na primeira noite ele terá que cortar os lábios vaginais que foram costurados aos quatro anos e que agora estão, de certa forma, cicatrizados. Para isso, ele usará uma faca de cozinha. Isso mesmo, uma faca de cozinha, sem nenhum cuidado ou higiene, afinal trata-se de uma mercadoria que precisa ser desembalada para poder ser usada.


estuproEstupro continuado

Qual a noção de sexo, que esse homem tem, se ele penetra uma mulher que não sente nada, que não lhe demonstra nenhum feedback? Isso é o mesmo que um estupro. Estupro continuado. Como esse pai educará seus filhos? Que tipo de valores transmitirá a eles? Como essa mãe educará seus filhos homens? Como educará as meninas? Se ela tiver uma filha, tão logo a menina cresça um pouco, ela mesma fará com a filha o que fizeram com ela, contribuindo assim para perpetuar essa prática. Não é um estuprador, um tarado ou um psicopata que faz isso com a menina. É a própria mãe!


Obs.: o vídeo a seguir contém imagens muito fortes. Se você for muito sensível, não o assista!


20circ6 2Escravizando uma população

Lá eles praticam a violência física para infringir na mulher (e por extensão à família inteira) uma repressão sexual, psicológica e emocional. É uma forma de escravizar uma população, de bloquear ou retardar seu desenvolvimento social, porque essa prática é avalizada por líderes religiosos locais, governantes, etc. Aqui (no ocidente) somos mais evoluídos. Não praticamos esse tipo de violência física. Aqui praticamos apenas a violência emocional e psíquica: Contamos uma trabalho-escravohistorinha. O resultado final é praticamente o mesmo: repressão sexual, psicológica e emocional. Assim escraviza-se uma população inteira, impedindo-a de se desenvolver plenamente. Lá a prática da mutilação não tem fundamento religioso, apenas tradicional. Ninguém ousa questionar justamente por isso: tradição. Aqui, a prática de se contar uma historinha, e assim insidiosamente inserir um programa escravagista no subconsciente da pessoa, encontra fundamento religioso. E, do mesmo modo, ninguém ousa questionar porque trata-se de um sistema de crenças. E para dar respaldo à essa prática, usa-se um fortíssimo argumento:

Não se deve mexer em crenças!

Traduzindo: “não se deve resolver problemas”, até porque, resolver problemas significa libertar escravos e isso não é conveniente para um Sistema fundamentado no lucro e cujos mantenedores obtém seus lucros obscenos exatamente da ignorância e incapacidade de questionamento das pessoas e sua incrível susceptibilidade à manipulação e controle (vide meus posts anteriores, “AUTOMAÇÃO HUMANA” e “A PROGRAMAÇÃO FATAL“.


Lirio-Star-GazerPovos que não respeitam a mulher, encontram-se, na escala evolutiva, abaixo da barbárie

Nota do autor: Sempre que reviso ou acrescento algo a este artigo, sinto-me envergonhado de ser habitante deste planeta e saber que esse tipo de coisa acontece diariamente com nossas jovens meninas, nossas irmãs, que mais adiante serão nossas mulheres, nossas mães, nossas avós. Que tipos de bárbaros são capazes de escravizar, mutilar e até mesmo matar uma mulher, se todos nascemos de uma mulher?


Recomendo ao leitor, caso não tenha ainda lido, que leia os demais artigos do blog, pois o principal objetivo dos mesmos é o despertar da consciência nas pessoas. Recomende aos amigos. Sinta-se livre para compartilhar amplamente este artigo por todos os meios à sua disposição.


Anúncios

8 ideias sobre “MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA

  1. Fátima Leite

    É até difícil pra mim acreditar que tanto horror, atrocidades, barbaridades (nem existem palavras que exprimam) como estas são cometidas, com o aval das Instituições Religiosas, Políticas etc. Quando isso vai mudar?! O que fazer???!!!

    Resposta
  2. Eduardo LBM Autor do post

    Quando isso vai mudar? O que fazer? Conscientização! Como você deve ter lido no texto, Fátima, o que perpetua esse tipo de prática é a tradição. É como naquele experimento dos cinco macacos:

    As gerações humanas são muito curtas, cerca de 20 anos e as tradições perduram por muito tempo. Na terceira ou quarta geração, ninguém sabe mais por que uma coisa é feita, e também não questionam. Mas, se alguém questionar, a resposta invariavelmente será: “Sempre foi assim, sempre se fez assim, qual o problema?”
    Felizmente, há grupos de pessoas que estão engajados em tentar mudar isso, embora seja um trabalho árduo. Já existem nas regiões mais afetadas, algumas comunidades que, após um trabalho de conscientização, abandonaram essa prática. Mas o trabalho de conscientização deve vir de fora, de outras pessoas e culturas, por que dentro da comunidade raramente alguém irá tentar mudar isso, até porque para eles isso é normal.

    Resposta
  3. Helena Alvarez

    O Filme – A Flor do deserto – (you Tube) mostra como as mulheres, aceitam como “normal” tal mutilação. A personagem, fica admirada da amiga “estrangeira” não ter sido mutilada….

    Resposta
  4. Suzan V. (@suzan_Ln)

    Olá Eduardo, obrigada pela paciência de formar esse site. Eu direciono minha vida em busca da autoconsciência e conheço vários assuntos tratados aqui, porém ainda não tenho paciência/habilidade para fazer um exposição tão clara. Obrigada e parabéns!!

    Resposta

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s