UMA EXPERIÊNCIA RELIGIOSA

escravidão-religiosaA ditadura religiosa, a escravidão religiosa, a prisão da religião

Muitos leitores ficam curiosos com o fato de eu criticar abertamente certos dogmas e preceitos religiosos bem como mostrar explicitamente o esquema de lavagem cerebral que há por trás disso tudo, então alguns perguntam se eu tenho ou sigo uma religião. Neste post irei falar exatamente sobre isso, sobre minha experiência religiosa ao longo da vida. Falarei das expectativas e decepções, dos medos e da ditadura religiosa.


Fe_respostas2Dogmas hereditários

Eu cresci numa família católica não praticante. Não fui batizado e não fiz primeira comunhão nem crisma. Meu pai, por ter sido vítima da ditadura religiosa em sua juventude, tomou a decisão, junto com minha mãe, de não encaminhar nenhum dos filhos para nenhum tipo de ensinamento religioso. Segundo ele, isso seria uma escolha pessoal de cada filho quando se tornasse adulto. Mas isso não me livrou e nem aos meus irmãos, da lavagem cerebral imposta pela religião. Nem aos nossos filhos, pois a lavagem cerebral tem a habilidade de passar de pai para filho e de mãe para filha por incontáveis gerações.


cortandogalhoRespostas insatisfatórias

Todos nós, quando passamos por alguma dificuldade que supera a nossa capacidade de lidar com ela, procuramos por ajuda, apoio ou conforto na religião. Hoje, descobri que isso é quase o mesmo que serrar o próprio galho onde se está sentado. Mas quando era mais jovem e inexperiente, fiz o que todos fazem. Procurei a religião. Mas para minha decepção, nunca encontrava respostas satisfatórias para meus questionamentos e muito menos, soluções para as minhas dificuldades.


ccb (1)Uma legião de adoradores

Então, passei por diversas religiões. Fui católico, umbandista, espírita. Estive em algumas igrejas evangélicas como a Presbiteriana, Metodista, Congregação Cristã. Também fui praticante budista durante algum tempo. Mas o que percebi é que seja qual for a religião, as pessoas não seguem princípios nem ensinamentos, mas adoram ídolos. Mesmo os que negam totalmente ídolos, são idólatras. Nas religiões cristãs, nunca encontrei alguém que seguisse de fato, de verdade mesmo, os ensinamentos de Jesus. O que encontrei foi um monte de ‘adoradores de Jesus’, o que é bem diferente. Em uma de minhas tentativas de me inserir em uma religião, resolvi participar de um grupo de jovens na igreja católica que ficava próximo à minha casa em são Paulo. Como é da minha natureza falar, palestrar, e por ser o mais maduro entre os jovens, o que eu mais gostava de fazer era reuni-los para conversar, filosofar, falar sobre a própria religião, sobre os ensinamentos, etc. e tal. Mas, para minha decepção, ninguém se interessava, ninguém ouvia ou mesmo prestava atenção. O que os jovens queriam mesmo era ‘adorar’ Maria e ‘adorar’ Jesus. Depois dos rituais de adoração, iam todos para suas casas e pronto. Dever cumprido.


prayerMuito humanismo, mas nada de humanitarismo

No budismo acontecia a mesma coisa. Como a maioria absoluta dos praticantes tinha migrado de religiões cristãs, o que se percebia é que eles apenas substituíam um ídolo por outro. Antes adoravam Jesus, agora adoravam um ‘pergaminho’. Mas dos ensinamentos, pouco se praticava. O que mais me decepcionou no budismo, é que se falava muito em humanismo, mas desprezava-se o caráter humanitário das questões. Quando um membro estava passando por uma dificuldade extrema, os demais membros se reuniam na casa dele para ‘orar’, só isso. Ninguém se importava de verificar se o membro tinha necessidades imediatas, se precisava de algo substancial além das orações. O dogma do ‘milagre’ era muito forte. Todos achavam que bastava orar pelo membro ou junto com o membro que estava em dificuldades e pronto! Comida caía do céu, dinheiro caía do céu, empregos apareceriam do nada, desavenças familiares se dissolveriam como que por encanto, sem que se precisasse entender as causas mais profundas dos problemas. Bastava ‘orar’ e pronto! Os envolvidos adquiririam magicamente a ‘sabedoria’ necessária para lidar com seus problemas.


BS_2123_17_marco-lightTodos dentro da caixa

Outra coisa decepcionante, é que não eram admitidos nas reuniões de atividades, matérias ou artigos que não fossem os publicados nos ‘impressos’ da organização. Falava-se muito no ‘triângulo’ fé, prática e estudo, mas estudo mesmo, só se fosse nas publicações impressas da própria organização. Uma forma de manter todos dentro da ‘caixa’, doutrinados. Outro dogma fortíssimo era o do ‘carma’. Membros e dirigentes evitavam fortemente se envolver com os problemas de outros membros, e principalmente, ajudar diretamente, por que isso poderia ‘puxar o carma do outro para si’. Quanta estupidez e falta de conhecimento!


Escada da Longuíssima Via.magilux.Imagens 575.17.p.Religiões pregam a morte

O principal papel das religiões, todas elas, sem exceção, é o de afastar o ser humano de sua própria divindade. Para isso, tentam convencer os praticantes ou seguidores de que são pecadores, cheios de defeitos, des- merecedores, imundos, etc. Todas as reli- giões, sem exceção, pregam a morte. Ne- nhuma traz ensinamentos consistentes e aplicáveis no dia a dia para se ‘viver’ no mundo, mas sim para se ‘morrer’. Todas acenam com um paraíso, ou algo equivalente, mas que sempre está num tempo e num lugar fora da realidade, ou seja, sempre depois que você morrer. Se quer desfrutar das graças do paraíso, então morra, porque enquanto vivo, você está condenado ao sofrimento e à penúria por ser um pecador imundo e blá, blá, blá, blá, blá… Algumas religiões mais sofisticadas chegam ao extremo de dizer que esta vida (física) não é importante, importante é a vida que você viverá depois, bem depois, muito depois, lá não se sabe onde, mas lá sim, a vida será verdadeira.


deus_thumb[5]Ciumento e vingativo

Ah, eu já ia esquecendo: para chegar ao paraíso, o que só acontecerá depois que você morrer, você deve viver uma vida de asceta, privando-se de tudo o que é bom, prazeroso e que traga confortos ou riquezas. Só então você estará credenciado a entrar no paraíso, onde ‘dizem’ que você terá tudo de bom, prazeroso e muitos confortos e riquezas. Ora façam-me o favor! (1) – E eu nem falei de Deus e dos muitos conceitos aterrorizantes que nos são ensinados desde a infância a respeito de um Deus ciumento e vingativo, genocida e possuidor de uma justiça muitíssimo duvidosa. Sim, porque se você não adorá-lo e temê-lo, você será mandado para o inferno e lá ficará ardendo eternamente, sem direito à apelação. Pelo menos na Justiça terrestre, nós temos advogados, promotores, juízes, júri, direito a responder em liberdade, direito à apelação à uma instância superior, redução da pena por bom comportamento, habeas corpus, etc. Ou seja, a justiça terrestre tem se mostrado muito mais justa, apesar de suas falhas. Mas com a Justiça divina, nem conte com isso. Se Deus mandar você pro inferno, você já era. Por toda a eternidade. Ora, façam me o favor! (2)

Então conclui-se que é impossível viver uma vida digna e verdadeiramente humana sendo um religioso, seja qual for a religião que você escolher!


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22 ideias sobre “UMA EXPERIÊNCIA RELIGIOSA

  1. Fátima Leite

    Querido Eduardo (permita-me)
    Concordo em tudo do que diz. Fiz um caminho muito igual ao seu para descobrir que não preciso de religião alguma e me sinto muito feliz agora que encontrei a Divindade em mim. Este Eu Sou que é Deus e que está acima de todas as Religiões e de todas as teorias e conceitos que não são o que eu sinto em meu coração, que cada vez mais conecta- se com uma fonte de infinito amor quando eu me autoconheço, me aceito e respeito meus próprios sentimentos e imperfeições, sem me encaixar em nenhum dogma/ padrão. … contudo buscando sempre a ética, o respeito, o comportamento digno e o amor ao outro tanto quanto posso amar a mim mesma, o que estou sempre ainda aprendendo, mas sempre buscando a AUTO consciência e a responsabilidade por meus atos. Isto pra mim é religar – se ao meu EU SUPERIOR, que é Deus, o Criador,o UM do qual Todos SOMOS.

    Resposta
  2. Nonato Pinheiro

    Você está certo, Edu! Eu tive uma formação católica muito rigorosa. Foi muito difícil me desligar. Mesmo porque havia a pressão familiar e social para que eu não praticasse aquilo, pois era pecado mortal, que era abandonar a Igreja.. Minha mãe, até hoje, com 96 anos, continua rezando para que eu retorne. Para falar a verdade, tentei voltar. Mas não dá! Aliás, nenhuma religião dita cristã leva sério o que está nos Evangelhos, a Boa Nova, que revogou a Lei Antiga. Observo os pastores” evangélicos”: que pregam mais sobre Isaías e Jeremias do que sobre Jesus. Para mim, são todos salteadores.
    Um grande abraço, Eduardo!

    Resposta
  3. Carlos Eduardo da Silva

    Olá Eduardo, obrigado pela ajuda e pela partilha dos seus conhecimentos. Que bom!
    Quanto ao assunto ‘Ciumento e vingativo’ gostaria que você já tivesse chegado ao ponto de saber defender essa afirmação (ciumento e vingativo) que erroneamente (ou por ser mesmo contra Deus) para dizer que Deus é isso! Ou seja, só diz isso (que Deus é “ciumento e vingativo” quem realmente não sabe que DEUS É AMOR. Amor incondicional. Um Ser que é todo AMOR. – Ah! mas eu li isso na Bíblia! Acontece que a Bíblia tem dois autores (Deus e o Homem). E se nas traduções da Bíblia, homens se sucederam em traduções e erros contra Deus, Deus permitiu porque sabia que inteligência que Ele nos deu iria chegar à verdadeira compreensão do que Ele realmente poderia ter dito. Veja o exemplo da ilustração que você escolheu para postar neste artigo: um artista fez a pintura de um homem barbudo, bastante zangado e com sinal de ameaça! Se o artista queria representar Deus, errou feio! É inadmissível que Deus faria tal gesto ou tal coisa! Talvez ele (o artista) quisesse ilustrar o texto bíblico ao PÉ DA LETRA: outro erro grosseiro. E muito cometem o mesmo. É possível que Deus seja ciumento e vingativo? A menos que esse deus não seja o Deus único que existe: onipotente, onisciente, todo-poderoso e puro-e-total-amor por todas as suas criaturas e por tudo o que existe. Portanto, todos os textos bíblicos em que as ideias de “Deus e dos muitos conceitos aterrorizantes que nos são ensinados desde a infância a respeito de um Deus ciumento e vingativo, genocida e possuidor de uma justiça muitíssimo duvidosa” aparecem, precisam superadas com o conhecimento de como Deus realmente é. Mas, enfim, que bom que você criou este site para partilhar suas ideias e permitir, nos comentários, que a gente possa também expressar também nossas ideias.
    Com um fraterno abraço e parabéns!
    Carlos

    Resposta
    1. Carlos Eduardo da Silva

      A noite me permitiu refletir um pouco mais sobre o assunto e achei que deveria voltar aqui para colocar este complemento.
      Sim, podemos dizer com todas as letra que Deus é “ciumento e vingativo” sim. A princípio só olhamos a frase no sentido negativo: ciúme doentio (que faz mal, que tira a liberdade, etc) e vingança de ódio (que quer fazer um mal ainda maior, etc). Mas se olhamos isso em alguém que ama de verdade, vemos que ele não deve ser capaz de ser assim. Então, Deus cuja essência é só AMOR, só pode ter CIÚME DE AMOR e fazer VINGANÇA DE AMOR. – Como assim? O ciúme é aquele “tempero” que todo ser amado gosta de encontrar no amante: aquela dose certa de atenção e cuidados por seu ente querido. Deus, que quer que todos nós tenhamos “vida em abundância” Ele deve ter mesmo ‘muito ciúme’ de que nossa vida não se perca inutilmente… Uma ‘vingança de amor’ só pode ser uma retribuição superabundante do mesmo amor. Se fazemos o mínimo bem e ajuda aos irmãos, a ‘vingança de amor’ de Deus a nosso favor será sem conta: Ele nos ajudará muito mais. Deus não se deixa vencer em generosidade!
      No tempo em que alguns textos da Bíblia foram escritos imperava a idéia de um deus antropomórfico (Deus devia ser como era o homem); depois, Jesus veio e, com seus gestos e sua vida, nos mostrou o verdadeiro ‘rosto’ de Deus: de um amor infinito por todos nós. Portanto, se tivermos o cuidado de reler certos trechos da Bíblia com essa certeza, ficará fácil ver onde, o que disseram de Deus, precisara ser lido e relido à luz do AMOR.

      Carlos

      Resposta
      1. Eduardo LBM Autor do post

        A bíblia não tem dois autores (deus e o homem), tem apenas um (o homem) e, diga-se de passagem, ao longo da história ela passou por cerca de 400.000 (isso mesmo, quatrocentas mil) alterações, manipulações, adulterações, modificações e ajustes que tinham como principal objetivo atender às necessidades do poder dominante em cada época. Isso sem falar dos erros normais de tradução e também dos erros propositais, já que o principal significado da palavra ‘tradutor’ é ‘traidor’.
        Não são quarenta, nem quatrocentas alterações, são quatrocentas mil alterações. Como confiar num conjunto de livros cujo conteúdo já foi profanado de todas as formas possíveis pelos que detém o poder? Algumas ‘versões’ traduzem o termo ‘ciumento e vingativo’ por ‘zeloso’ para minimizar a monstruosidade desse tal de deus do velho testamento.

        Resposta
        1. Rodrigo

          Definir Deus é simplesmente limitá-lo aos nossos sentidos… Um abutre pode encontrar uma carcaça a Kilômetros de distância que e nós humanos sequer imaginaríamos que estaria ali. Uma abelha é guiada de volta à sua colmeia depois de percorrer alguns kilômetros em busca do néctar. Podemos estudar esses casos da natureza, chegar a hipóteses, encontrar as explicações, mas jamais teremos a plena compreensão desses fatos, pois estamos limitados a compreender o que os nossos sentidos, que também são limitados, nos permitem experimentar, porque saber o que leva a abelha de volta ao seu lar não é o mesmo que sentir o que ela sente, experimentar o mecanismo que atua no magnífico inseto E no fim das contas somente saberíamos explicar tantos fenômenos porque os nossos sentidos permitem assistí-los, sentí-os. Como ficam os milhares de fenômenos que os nossos sentidos e as nossas máquinas não conseguem captar? Entendem como estamos limitados à experiência e captação apenas do que nossos sentidos conseguem captar? Como, em um corpo tão limitado, temos a pretensão de dizer que Deus é isso, Deus é aquilo?

          Resposta
  4. Possidonio Duarte

    Otima matéria Eduardo , sou Budista da BSGI mas não concordo com os dogmas e maneiras dos dirigentes guiarem , faço a minha parte e pratico os preceitos e ensinos sem me prender as formalidades ou esoterismo que ocorrem em grande parte por conta da formação religiosa anterior.

    Resposta
  5. Vinícius

    Olá Eduardo, encontrei seu site enquanto procurava por um livro em pdf e para minha surpresa encontrei uma excelente biblioteca para download, estou lendo seus artigos um a um e até o momento me abstendo de fazer comentários,mais pelo fato não ter duvidas ou algo a acrescentar mesmo, porém neste me surgiu uma dúvida, qual a sua experiência com o espiritismo? Eu me deparei com esta doutrina a pouco tempo, um ano mais ou menos, e tenho a estudado conforme a rotina diária me permite, procuro sempre ter uma visão crítica de tudo que chega até mim e o espiritismo me deu um esclarecimento, que para mim foi o melhor que encontrei, a respeito de inúmeras questões que eu buscava explicação. Como foi para você? (no momento estou lendo seus artigos e tomando um chimarrão) forte abraço e parabéns pelo seu trabalho!

    Resposta
    1. Eduardo LBM Autor do post

      O Espiritismo como codificação, feita por Kardec, é algo muito bom de se estudar. Abre a mente para outras realidades às quais não estamos acostumados. Mas como religião ou doutrina, infelizmente encontrei nela os mesmos problemas que encontrei em outras religiões: Pessoas extremamente dogmáticas e mentes fechadas e com atribuições a cargos dentro a FEB (Federação Espírita Brasileira). Quando dão palestras ou aulas, acabam por distorcer totalmente os conhecimentos e informações passados por Kardec. Outra Coisa: o Espiritismo como religião, acaba sendo mais uma religião do “Sistema” e que visa desinformar e alienar as pessoas, transmitindo a elas conceitos que são uma verdadeira “Visão romântica da Vida” e que em nada contribuem para ajudar as pessoas a encararem e enfrentarem a realidade do mundo. Se quer entender o Espiritismo real, sem a visão romântica da Vida, de uma forma talvez até chocante, assustadora em alguns casos, assista a algumas das palestras do Prof Hélio Couto. Uma que eu indico fortemente é “O SEXTO DEGRAU”. E outra também fortemente recomendada é “AUTO SABOTAGEM E SOMATIZAÇÃO”

      Resposta
  6. Vinícius

    Meu amigo, muito obrigado pela resposta, me encho de alegria ao ver que existem pessoa além de mim que pensam desta forma, concordo com tudo que disseste. Quanto ao Hélio, eu já acompanho seus vídeos há algum tempo também, inclusive já assisti a esses dois. Foi procurando por um livro dele, marketing e arquétipos, que encontrei seu site. Grande abraço.

    Resposta
  7. Adalberto Martins

    Simplesmente perfeito. História muito parecida com a minha. Religião foi criada para guerras, prisões e separação de povos.Cada uma querendo impor suas verdades. ………………Ao longo do tempo só mudaram o jeito de agir(em partes).
    .

    Resposta
  8. Vanio Luiz Cachoeira Filho

    Caro Eduardo. Gostaria de publicar as seguintes colocações a respeito deste post.

    1) Budismo

    Eu passei por um caminho semelhante ao seu em termos religiosos. Tenho 51 anos. Depois de passar por diversos segmentos religiosos, ano passado estava a ponto de me tornar ateu, por estar desacreditado em relação aos segmentos religiosos, quando conheci o budismo.

    Budismo é o nome que o ocidental deu ao que ele viu no oriente quando lá chegou e deu de frente com algo em torno de uma personagem que era chamado de Buda (o desperto), especificamente buda Sakyamuni. Os ocidentais viram algo que parecia uma religião. Logo, aquilo tinha de ser algum ismo. Quem era o chefe? O buda. Então budismo. Visão ocidental. Na visão oriental original, não há budismo. Há algo lá chamado caminho do despertar, que não sei como é escrito em sanscrtio ou pali. Há vídeo de palestras de especialistas no assunto falando sobre isso no youtube (vídeos de palestras de Stephen Batchelor).

    O budismo tem várias divisões e subdivisões. A grosso modo há 3 grandes caminhos: Hinayana, Mahayana e Vajrayana. Dentro destes caminhos há diversas escolas como a teravada (hinayana), Zen (mahayana), Terra Pura (não sei) e o budismo tibetano (mahayana / vajrayana). Dentro destas escolas há várias tradições como gelug, nyingma, kadyu, sakya.

    Quando você cita o budismo no seu blog, você está relatando a sua experiência com o budismo Nechiren, acredito eu. Pois vi na página da Seikyo Brasil referências a Nichiren Daishonin e a prática do daimoku. A sua experiência coincide com a que ouvi de outras pessoas que por lá passaram.

    O que destaco é que o que você relatou dizendo ser budismo foi uma experiência pessoal dentro de um ramo muito específico do budismo. Que aliás, não se parece nem um pouco com o budismo que pratico que segue a tradição nyingma do budismo tibetano, CEBB (Centro de Estudos Budistas Bodhisatva). E lá há humanitarismo na prática (mas participa quem quer). Se houver curiosidade, olhar o seu site e vídeos no youtube. E se algum membro necessita de apoio, é só procurar ajuda que tem (não é só oração, já vi isto).

    Há também um segmento do Zen, que é o pessoal do Via Zen, no Rio Grande do Sul, que tem um trabalho humanitário muito bonito. Eles passam uma semana como moradores de rua, literalmente. Uma muda de roupa, sem documentos, sem dinheiro, sem tomar banho, sem comida, sem teto, se alimentando de restos de comida… A finalidade é ter a experiência real de morador de rua. Após esta experiência eles enxergam qual a necessidade real desse segmento social e passam a dar o apoio necessário e realmente contextualizado. Que mais eficiente e eficaz que isto. Passar pelo que o outro passa para depois oferecer ajuda.

    Quanto aos ensinamentos, são muito liberadores. Há quem se comporte como religioso adorador comum. Mas isto é quem quer ou entendeu errado. Toda a orientação é para estar livre de toda referência e condicionamento mental, incluindo o fato de se colocar diante dos outros como budista e a partir daí assumir uma identidade com costumes, trejeitos, etc.

    2) Religiões em geral

    Sua fala: “O principal papel das religiões, “todas elas, sem exceção”, é o de afastar o ser humano de sua própria divindade.”

    Esta fala generaliza muito. Principalmente a expressão “todas, sem exceção” em várias colocações. O segmento religioso onde estou (budismo) aponta de forma muito clara para a nossa divindade. Todos somos buda, ninguém é pecador. Apenas olhamos a vida de forma iludida e geramos más ações a partir desta perspectiva, que uma vez desconstruída, manifestamos nosso estado búdico. Por isso não há culpa, só responsabilidade.

    Em relação a segmentos místicos como o cristianismo místico e o judaísmo místico, a cabala, digo que são extremamentes profundos, bonitos e libertadores quando bem praticado por pessoas sábias que de fato existem, pois eu as conheci.

    Eu me afastei de movimentos religiosos por não gostar da forma como aplicam os seus fundamentos religiosos. Só estou praticando o budismo porque me mantenho livre, sem dogmas, sem imposições, sem ter de carregar cruz (nos é dito que não temos culpa por nossos erros que vem de uma visão iludida de como a vida é, apenas temos responsabilidades sobre eles), e principalmente, porque estou descobrindo o meu Ser, a minha divindade através de métodos claros passo a passo. Foi o único segmento religioso que encontrei que me deu um como fazer as coisas. Tem um como para tudo o que necessito para me encontrar e me liberar do sofrimento. Antes eu só tinha a informação do que fazer e as ameaças se não fizesse.

    A partir da minha experiência, eu vejo que muitas religiões são extremamente profundas e libertadoras para quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir, como disse um sábio conhecido como Jesus, pois ele mesmo havia alertado quanto a palavra que mata, quanto a cegos guiando cegos e “ai daquele que se põe na porta do céu, nem entra e nem deixa os outros entrarem”. A filosofia e os escritos religios são uma coisa, o movimento religioso em torno disso é outra. Eu não diria que o papel das religiões, sem exceção, é o de afastar o ser humano de sua própria divindade, apesar de saber que em geral, os movimentos religiosos fazem isto mesmo. Os movimentos religiosos, que não são a religião em si, são formados de pessoas e todos os seus defeitos. Isto inclui o budismo. Há esta operação enganosa até dentro de certos segmentos budista. Mas nem as religiões e nem o budismo tem como finalidade nos afastar da nossa divindade.

    Não me vejo como religioso no sentido convencional. Segundo a minha experiência, religião não gera guerra nem discórdia e nem se propões a aprisionar ninguém. Mas pessoas religiosas é que podem guerrear, fomentar discórdias e aprisionar a partir das suas visões equivocadas sobre as suas escolas religiosas. É a mente do ser pensante que gera experiências como você viveu a partir de fundamentos religiosos, não a religião em si.

    Este meu texto não foi para defender o budismo ou qualquer religião. A minha intenção é não deixar uma impressão generalizada a partir de uma experiência própria. Experiência real, mas particular. Não significa que tudo é assim.

    Passamos por caminhos semelhantes mas com percepções de experiência religiosa diversa. Espero não ter causado mal estar e sim ter contribuído com um outro ponto de vista.

    Sucesso.

    Vanio

    Resposta
    1. Eduardo Silva Autor do post

      Boa noite, Vanio. Vi seu comentário agora a noite, e como o texto é longo, vou ler tudo com calma mais tarde ainda hoje. E dependendo do caso, provavelmente irei responder a suas colocações. Obrigado por sua participação.

      Resposta

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