A MÁFIA DOS JUROS

Como funciona o financiamento de veículos

Você vai à loja revendedora e, depois de escolher um determinado veículo, solicita financiamento. Você tem um pouco de dinheiro para pagar a entrada e parcelar o restante e, como se trata de um valor relativamente baixo, você solicita um financiamento em apenas doze parcelas, o que lhe é prontamente negado sob a desculpa de que a ‘financeira’ não tem planos de doze parcelas para aquele veículo daquele modelo e daquele ano. Você tem que aceitar um financiamento de no mínimo 24 parcelas, o que é claro, vai aumentar os custos financeiros, embora o valor unitário das parcelas seja menor. Então vemos ver como é que fica esse negócio. Vou tomar como exemplo um fato que aconteceu comigo em 2011, quando comprei um Automóvel Ford Fiesta ano 98 cujo valor de venda na loja era de R$10.000 (dez mil Reais).


croc_duckDepenando um pato

Como havia alguns pequenos problemas no carro, o vendedor me disse: dou-lhe um desconto de R$1.000 (mil Reais) e você mesmo resolve esses pequenos problemas. Ótimo, o carro saiu por R$9.000 (nove mil reais). Como eu dispunha de R$ 4.500 (quatro mil e quinhentos Reais) para dar de entrada, cinquenta por cento do valor do veículo, pedi-lhe então que calculasse o financiamento do valor restante, R$ 4.500 em doze parcelas. Mas para minha surpresa, o vendedor disse que a financeira não aceitava financiamento em doze parcelas para carros daquele ano, o mínimo seria um plano de 24 parcelas. Muito a contra gosto eu aceitei, pois precisava de um carro para o meu trabalho. Obviamente que nessa época eu não sabia de toda a sujeira que rola por trás do comércio e financiamento de veículos e eu, assim como qualquer outro cidadão, pensei que se tratava meramente de ‘regras’ da financeira.


carne-pagamentosNegócio altamente lucrativo

Depois de passar por toda a burocracia normal para esse tipo de operação, o carro foi liberado e comecei a utilizá-lo e depois de duas semanas recebi o carnê para pagamento das parcelas e então, outra surpresa: o financiamento tinha sido recalculado, sem a minha autorização ou solicitação, para 36 parcelas. Como a burocracia para se resolver esse tipo de problema é extremamente irritante resolvi aceitar temporariamente a situação, até eu poder me organizar no que se referia ao atendimento aos meus clientes e depois, com tempo eu cuidaria disso. Vejamos então como ficou o negócio:

juros-abusivos-revisao-de-juros    
    Valor financiado             4.500,00
    Valor das parcelas (36)        278,96
    Valor total do contrato     10.042,56

Veja que por um financiamento de R$ 4.500,00 eu iria pagar, apenas a título de juros, correções, remunerações e outros, mais R$ 5.542.56 – ou seja, o custo do financiamento é maior do que o próprio valor financiado. Eu entendo que numa economia com inflação relativamente baixa, em três anos, seria justo um acréscimo de aproximadamente 50% no valor financiado e isso já é mais do que 1% ao mês e próximo de 17% ao ano.


propina2O império da desonestidade

Num sistema onde há honestidade e justiça o total do financiamento iria chegar a modestos R$ 6.750,00 e nisso já estariam embutidos os juros, correções, encargos e outras remunerações. Então como é que se chega no valor de R$ 10.042,56? Há algo de muito errado nisso, com certeza. Não vou citar o nome da financeira porque ainda há uma questão em andamento e que ainda não foi resolvida, mas quando questionada, a mesma, através de seu atendente, me informou que aceita normalmente financiar o bem em quantas parcelas o cliente quiser, até em duas se for o caso e que houve má fé do revendedor. Interessante. Como a questão continuou por mais tempo (meses) em uma outra ocasião, a funcionária atendente deixou ‘vazar’ que a financeira ‘comissiona’ o revendedor com um valor fixo por parcela, mas não me informou o valor. entretanto eu presumo, pelos cálculos que esse valor é algo em torno de R$ 45,00 (quarenta e cinco Reais) por parcela e isso explica o porquê do vendedor praticar a ‘empurroterapia’ isto é, forçar um financiamento em muito maisfiesta-98 parcelas do que o cliente deseja e ainda se ‘esconder’ atrás da financeira dizendo que a mesma não aceita contratos com menos de 24 parcelas para aquele tipo de veículo. Ora vejamos, eu solicitei 12 parcelas e isso daria ao revendedor uma comissão de cerca de R$ 540,00 por isso ele não aceitou e me “empurrou” 24 assim ele teria um ganho nessa operação somente a titulo de comissão, de R$ 1.080,00 – mas depois da funcionária da financeira ter feito a checagem de praxe para verificação do endereço do solicitante, o que é feito “in loco” e na minha presença, o revendedor provavelmente deve ter dito à ela: “empurra 36 parcelas nesse otário“. No final, sua comissão seria de cerca de R$ 1.620,00.


nariz_palhacoClientes são otários

Então, a financeira ‘é responsável sim‘ pelo comportamento predatório dos revendedores, pois estimula-os a praticarem a ‘empurroterapia’ em cima dos clientes incautos. Existe uma parceria comercialmente não saudável entre financeira e revendedor, cujo objetivo é ‘depenar patos’. E ainda há mais um detalhe: lembra-se de que o veículo foi negociado por R$ 9.000 (nove mil Reais)? Pois é, nesse valor já está incluída a margem do lojista, então deduz-se que o mesmo lucra duas vezes com a mesma venda. E eu nem mencionei que o lojista, ao comprar esse veículo da pessoa que o vendeu (um coitado), depreciou-o ao máximo, colocando um monte de defeitos e pagando ao antigo dono um valor talvez não maior que R$5.000,00 (cinco mil Reais). Conclui-se que a margem total do lojista, apenas nessa venda foi de cerca de R$ 5.620,00 (cinco mil, seiscentos e vinte Reais) somando-se a venda normal do veículo mais as comissões recebidas da financeira. Um excelente negócio, não fosse o fato de os clientes serem tratados como verdadeiros otários.


Vejamos agora alguns cálculos interessantes:

               Valor total do financiamento:            10.042,56
               Valor que seria justo e correto:          6.750,00
               --------------------------------------------------
               Diferença normalmente paga pelo otário:   3.292,56

               Parte que fica com o lojista:             1.620,00
               Parte do especulador Wall Street:         1.672,56


mussumTrabalhando como um burro

Ora vejamos: num financiamento de 36 parcelas, você paga 24 para cobrir o valor principal e os juros, encargos e remunerações da instituição financeira. Depois, você fica mais doze meses trabalhando como um burro para sustentar o lojista (que já teve o lucro na venda do veículo) e para sustentar um especulador lá em Wall Street que não produz absolutamente nada, não comercializa absolutamente coisa alguma, mas ganha limpinho o seu dinheiro suado. Todos ganham nessa operação: O lojista, a financeira e o especulador de Wall Street. E sabe quem são os que menos ganham? Os funcionários da financeira e os funcionários do lojista. E sabe que é que toma no “forévis”? Você, eu, e todos os que precisam comprar veículos financiados. Obviamente que essa prática não está restrita somente ao comércio de veículos. Sempre que houver um financiamento para aquisição de um bem qualquer, lá estarão os juros e lá também estarão os achacadores, principalmente os que não produzem e não comercializam, apenas especulam. Em um financiamento de veículo, 60% do valor total dos “juros” corresponde a um dinheiro que você paga, durante 36, 48 ou 60 meses, para sustentar lojistas inescrupulosos e garantir que os especuladores de Wall Street possam comer ‘patinhas de caranguejo’ a US$400 (quatrocentos dólares) o prato, bem como utilizar o serviço de prostitutas de luxo por milhares de dólares e ainda manter seus jatinhos, helicópteros, iates, mansões, etc. É o seu dinheiro suado que paga por tudo isso.


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