Arquivo mensal: outubro 2014

VENTO DA MUDANÇA

Sem combustível, sem pedágio, indo onde quiser!

Este é o primeiro artigo que escrevo para falar de algo a que sempre me dediquei desde minha juventude: Tecnologia. O que vou propor é um tanto quanto estranho para muitas pessoas, mesmos as que lidam diariamente com tecnologia, projetos e invenções. Mas o objetivo é esse mesmo, trazer o assunto à discussão e tentar agregar a ele novas ideias ou conceitos. Se você tiver alguma ideia a respeito, por favor comente. Se discorda de algo, comente também, mas explique o porquê. Não busco notoriedade nem ganhar dinheiro com essa ideia. Minha intenção é de que a ideia se espalhe e mais e mais pessoas comecem a pensar nas possibilidades de se desenvolver um veículo aéreo com os conceitos mostrados aqui.


balao-helio-aerobaloon-flickrNavegando nos céus!

Isso é possível? Bem, eu acho que sim. Há muitos elementos e tecnologias que usamos no dia a dia que podem ser utilizados para se conseguir esse objetivo. Você já ouviu falar a respeito do gás Hélio e de suas propriedades? O Hélio, assim como o Argônio, o Neônio e o Xenônio, é um gas nobre, isto é, é um elemento quimicamente estável e não explosivo. Também é o elemento mais leve da Natureza depois do Hidrogênio. Um balão cheio com 1 metro cúbico de Hélio pode erguer do chão 1 Kg de carga. Se você soltá-lo, ele irá subir e subir e ao atingir as camadas mais altas da atmosfera ele provavelmente irá explodir e o hélio, agora livre, continuará afastando-se do planeta em direção ao espaço exterior. Controlando-se o peso da carga ou a quantidade de hélio, é possível manter o balão numa altura específica. Mais hélio, ele sobe, mais carga, ele desce. Desse modo, um balão com aproximadamente 6m de diâmetro será capaz de erguer cerca de 160 Kg de carga.


balao-japaoControlando a navegação

Ninguém até o momento deu a devida atenção a isso. Seria possível, utilizando-se a tecnologia adequada, controlar o voo sem necessidade de aumentar ou diminuir a quantidade de hélio ou descartar uma parte da carga? E mais, seria possível controlar a direção do voo não importando qual a direção do vento? Seria possível controlar quão rápido o veículo sobe ou desce? Seria possível escolher o momento da decolagem ou aterrisagem? Seria possível controlar a velocidade de cruzeiro?


balao-helio2Aquecendo o hélio

Que tal se tentássemos aquecer o hélio? Fico imaginando se alguém já tentou isso. Imagine um veículo em forma de balão cheio de hélio não o suficiente para sair do chão, mas próximo disso. O hélio está na temperatura ambiente. Do mesmo modo que aquecemos o hélio em um balão de ar quente para ele subir, podemos aquecer o hélio pela mesma razão. Mas não usando o fogo como se faz nos balões de ar quente. Que tal se utilizarmos dispositivos eletrônicos para aquecer o hélio? É necessário muita energia para ionizar o hélio, mas nem tanto para ionizar o Neon ou o Xênon. O neon é largamente utilizado em placas luminosas de propaganda e o Xênon é largamente utilizado em flashes eletrônicos para fotografia e luzes estroboscópicas. Ambos produzem uma luz muito brilhante e esquentam muito quando ionizados. Como são mais pesados que o hélio, se forem colocados no mesmo recipiente, permanecerão no fundo, separados do hélio, como água e óleo. Desse modo, é muito fácil ionizá-los por meios eletrônicos e uma vez ionizados, seu calor será transmitido para o hélio, que também irá ficar aquecido.


balao-xenonio9Sistema autorregulado

Um simples pulso de alta voltagem, menor que um milissegundo, seria suficiente para ionizar o Xênon. Trinta pulsos por segundo irão produzir um rápido aquecimento e o veículo irá decolar. O efeito colateral desse dispositivo será uma forte claridade, quase cegante, cada vez que o veículo decolar. Para manter o veículo em uma altitude específica, é necessário manter a temperatura do hélio em um valor específico, enviando um pulso a cada dois ou três segundos. Quanto mais quente o hélio estiver, mais alto o veículo permanecerá. Isso pode ser conseguido utilizando-se sensores devidamente posicionados no recipiente de gás, os quais estarão conectados à unidade de controle de aquecimento que por sua vez envia pulsos de alta voltagem em intervalos regulares ao circuito ionizador. Os sensores detectam a diminuição ou aumento da temperatura e informam a unidade de controle de aquecimento que irá diminuir ou aumentar a frequência dos pulsos. É, portanto, um sistema autorregulado. O operador precisa apenas ajustar o dispositivo para a altitude desejada.


balao-lifter1dgPropulsão eletrostática

Há onze anos, em 2003, eu fiz alguns experimentos em circuitos eletrônicos e desenvolvi um em especial, chamado lifter. O projeto não é de minha autoria, copiei os esquemas do site de Jean Louis Naudin (JLN Labs). Um lifter consiste em um capacitor assimétrico que é conectado à uma fonte de alta voltagem (30 Kv) e que envia pulsos na frequência de 15,750 KHz. Mas no meu experimento eu mudei um pouco as coisas: inseri alguns componentes que me permitiam ajustar a frequência tornando possível obter qualquer frequência entre 1balao-hexalift3 KHz e 24 KHz em uma escala contínua. Um lifter, como o próprio nome diz, é feito para subir, mas tem uma capacidade de carga extremamente reduzida. Na verdade, ele só é capaz de erguer a si mesmo e uma carga não maior que dez por cento de seu próprio peso. Depois de muitos experimentos, eu comecei a usar o lifter na posição horizontal, não para erguer alguma coisa, mas para obter algum empuxo, como se fosse um sistema de propulsão. Eu fiquei muito surpreso quando, ao testar várias frequências, em um certo momento o lifter deu um pulo, em uma frequência próxima dos 8 KHz.


balao-lifersimsO segredo é a frequência

Esse ‘pulo’ ocorreu numa frequência exata, nem mais nem menos do que um ponto bem específico, mas não sei dizer qual era exatamente essa frequência porque na época eu não tinha um frequencímetro, mas eu sei por meio de cálculos com uma certa margem de erro que era próximo de 8KHz. À medida que eu aumentava ou diminuía a frequência dos pulsos enviados ao lifter, utilizando um controle deslizante, havia um ponto bem estrito onde o ‘pulo’ ocorria. Fora desse ponto, em qualquer outra parte da escala, o lifter tinha um empuxo normal, ele queria sair voando mas não podia porque estava pendurado por um fio. Mas quando a frequência exata era encontrada, o lifter parecia ter sido disparado tal qual um projétil. Quando em funcionamento, o lifter produz um vento. É um vento iônico e ele se comporta como se estivesse carregado com energia eletrostática e exala um cheiro característico de ar ionizado. É por causa desse vento que eu nomeei este artigo como “VENTO DA MUDANÇA”. Eu realmente tenho esperança de que este seja o Vento da Mudança. Agora, tente imaginar que, se o veículo estiver numa determinada altitude, estável e sem obstáculos à frente, você só precisa aplicar-lhe um empuxo e ele se moverá.


balao-airshipMais pesquisas são necessárias

Bem, até agora nós sabemos que é possível o veículo decolar, sem gastar combustível. Já sabemos que é possível controlar a decolagem e a aterrissagem, bem como a altitude de cruzeiro. Também sabemos que é possível utilizar um sistema de propulsão eletrostático. Mas ainda há alguns problemas a serem solucionados. Primeiro: sabemos como aquecer o hélio, mas não sabemos como resfriá-lo. É necessário esperar o hélio esfriar por si mesmo. Ou então, podemos fazer uma pesquisa para encontrar meios de resfriar o hélio rapidamente. Isso irá melhorar a capacidade de manobras. Uma vez que esse tipo de veículo irá se deslocar dentro da atmosfera terrestre, ele poderá aproveitar-se das leis da aerodinâmica. Esse veículo, provavelmente irá se comportar de forma um pouco diferente das aeronaves convencionais. Ele terá leme mas não necessariamente asas, mas se forem utilizados corretamente, lifters podem substituir o leme. Seu modo de navegação será mais parecido com um navio ou submarino do que com um avião.


balao-priest-Adelir-Anton_473985aO Padre que voava

Lembram se o padre que voou com balões em 2008? Pois é, acredito que apesar de seus instrutor de voo dizer que ele era irresponsável e temerário, ele estava tentando transmitir uma mensagem. E qual era essa mensagem? Que é possível utilizando-se a tecnologia adequada, ir de um ponto a outro dentro do planeta sem se gastar combustível e sem se pagar pedágio. Imagine as implicações de uma informação como essa. Quando ouvi as notícias do ‘acidente’, foi a primeira coisa que pensei. Acredito também que ele tenha sido abatido e não sofrido um infeliz acidente, pois ele era muito polêmico. No dia do seu fatídico voo, o céu estava fortemente nublado e com nuvens baixas, o que facilitaria a ação de um caça da Força Aérea. Ninguém jamais iria perceber. A mídia de massa fez questão de transmitir uma imagem de que o padre era um louco e irresponsável. Mas não mencionou que poucos meses antes ele tinha feito um voo bem sucedido, decolando em Ampere / Paraná e pousando em território Argentino são e salvo. A mídia usou a técnica de desqualificação da pessoa e a grande massa da população, ignorante a respeito dos fatos e sem conhecimento algum sobre navegação aérea, acreditou facilmente na versão do padre louco.

Este parágrafo foi escrito em respeito e homenagem ao Padre Adelir Antonio de Carli que morreu em 2008 tentando quebrar o recorde de voo em balões de gás.


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 O desenho acima em arquivo PDF

Imagem002.pdf


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