VIAJANDO DE ÔNIBUS PELO BRASIL

O PROBLEMA DOS ÔNIBUS NÃO É PASSAGEIRO

Eu viajo de ônibus há pelo menos 55 anos e, até onde me lembro, jamais presenciei ou sequer ouvi dizer que houve algum tipo de pesquisa ou enquete para se saber o nível de satisfação dos passageiros de ônibus rodoviários. A cada ano, novos e cada vez mais bonitos e sofisticados ônibus são apresentados aos usuários numa espécie de concorrência para ‘encantar’ o passageiro, mas nunca se questionou o que é que realmente o passageiro precisa ou gostaria de ter no interior dos ônibus quando viaja, especialmente quando a viagem é longa. Há ônibus que mais se parecem com naves espaciais, sua aparência realmente é impressionante, mas é só aparência. Neste artigo, vou expor um pouco do que realmente acontece nos ônibus, rodoviárias, pontos de parada, bom como outros aspectos desse Universo Viajeiro, que outrora já foi romântico e poético, mas hoje em dia é um verdadeiro suplício. Empresas de ônibus não tem a menor consideração pelos passageiros. Animais e gado são transportados mais ‘humanamente’ do que pessoas. Tenho certeza de que os engenheiros e técnicos que participam no desenvolvimento dos projetos dos ‘moderníssimos e encantadores’ ônibus, jamais viajaram de ônibus para onde quer que seja.


Cometa-3300Por fora bela viola

O aspecto exterior dos ônibus realmente impressiona. Há pelo menos cinco fabricantes de ônibus no Brasil, mas parece que é um só fabricante, porque o design básico é sempre o mesmo. Todos são muito parecidos quando vistos por fora e mais parecidos ainda por dentro. O que ajuda a diferenciar um pouco é a existência do terceiro eixo e, mais recentemente, do quarto eixo. No mais, não importa se é Busscar, Marcopolo, Irizar ou Comil, todos são motorizados pelos tradicionais motores fabricantes-onibusScania, Volvo, Mercedes Benz e Volkswagen. Pouco importa a empresa que você escolhe para viajar, essa escolha é puramente uma ilusão. Mas as empresas, através de seu marketing, valorizam excessivamente a parte externa dos ônibus, como se isso fizesse alguma diferença para o passageiro.


poltrona de ônibusPor dentro, pão bolorento

No fundo, não importa se você escolhe viajar pela Cometa ou pela Itapemirim, pela Garcia ou pela Eucatur, não há diferença nenhuma em termos de conforto interno a não ser em raríssimos casos, pois os ônibus são produzidos apenas por quatro ou cinco fabricantes seguindo o mesmo design básico. As poltronas, apesar de muito bonitas, são feitas sob medida para europeus viajarem e não para brasileiros. A estatura média dos brasileiros é cerca de dez centímetros menor que a dos europeus. O assento é muito alto em relação ao piso e a maioria dos passageiros fica com fortes dores nas pernas e nos joelhos logo nos primeiros quilômetros de viajem, o que os obriga a adotarem posições mais desconfortáveis ainda durante a viagem. Muitos passageiros, quando a poltrona ao lado está desocupada, utilizam-na para manter as pernas esticadas e tentar assim suportar um pouco melhor opoltronas-1 desconforto da viagem. Quando há descanso para as pernas, como visto na foto acima, este é feito de tecido liso e as pernas não conseguem nunca ficar descansando sobre o mesmo, pois escorregam para os lados o tempo todo. E quando o passageiro decide não utilizá-lo, este se torna mais um objeto a diminuir o já escasso espaço do passageiro. Quando se viaja a noite em um ônibus com lotação parcial, é um festival de pernas e pés pelo corredor do ônibus e quando um passageiro se levanta para ir ao banheiro precisa ser extremamente cuidadoso (no escuro) para não machucar alguém ou a si mesmo. A distância entre poltronas também é um ultraje. Se o passageiro da poltrona imediatamente à frente decide recliná-la totalmente, o encosto fica a apenas 25cm do rosto do passageiro de trás, o que gera uma sensação confinamento (claustrofobia). Se este passageiro (o de trás) quiser tirar os sapatos, simplesmente não consegue alcançá-los porque não há espaço físico para se curvar e se abaixar. Se o passageiro estiver sentado na poltrona do lado da janela e houver outro passageiro sentado na poltrona do lado do corredor, sem chance, ele estará completamente confinado, tipo bezerro de vitela.


pelicula_protetora___graus___copiaInsulfilme prejudica a visão

Um dos grandes atrativos de se viajar de ônibus, é a possibilidade de apreciar as paisagens, coisa quase impraticável para quem viaja dirigindo seu próprio veículo. Entretanto, com o advento do insulfilme, os vidros das janelas dos ônibus são todos ‘filmados’ o que de certa forma é bom, pois reduz parte da radiação nociva da luz solar e prejudica menos os olhos. Mas quando a viagem é feita à noite, o passageiro perde a oportunidade de apreciar o céu e as estrelas, pois o insulfilme reduz demasiadamente a visão. Mesmo que esteja um belíssimo céu, profusamente estrelado, em noite de Lua Nova, o passageiro perde totalmente o espetáculo, pois só é possível ver as estrelas mais brilhantes e de forma bem difusa, como se fossem borrões. Novamente, sinto saudades dos tempos em que os vidros das janelas eram apenas vidros e podia-se abrir as janelas para tomar um vento fresco no rosto.


manta-02Ar condicionado para que?

Uma coisa com a qual eu nunca consegui me adaptar nesses ‘moderníssimos’ ônibus é o tal do ar condicionado. Ele foi cuidadosamente projetado para irritar o passageiro de todas as formas possíveis. Se o passageiro está sentado próximo à janela, há um fluxo (corrente) de ar que incide diretamente nos seus ombros e depois de algum tempo os ossos começam a doer. Se a poltrona ao lado estiver vazia, o passageiro pode se ‘esquivar’ da corrente de ar mas agora a corrente de ar começa a lhe atingir na coxa e a mesma começa a doer, então torna-se necessário um cobertor. Não é raro ver pessoas viajando com cobertores, mesmo em dias de calor.  Isso sem falar dos motoristas ‘abestados’ que, em dias de muito calor, ajustam a temperatura do ar para 17°C. Isso pode ser muito gostoso nos primeiros minutos, quando você entra no ônibus, principalmente quando está um calor dear-gelado 38 graus do lado de fora, mas depois de algum tempo o passageiro fica ‘aclimatado’ à nova temperatura e então começa a tremer de frio. Numa viagem de apenas duas horas entre Joinville e Curitiba, me senti como um boi numa câmara frigorífica. Literalmente as pessoas são transportadas como gado. E ainda há um agravante: o frio é distribuído de forma desigual ao longo do comprimento do ônibus, portanto os que estão nas extremidades (frente e traseira), sofrem ainda mais. E como há pessoas ‘calorentas’ e outras ‘friorentas’, se você reclamar com o motorista, ele irá dar a desculpa de que se a temperatura for ajustada para um nível mais confortável, cerca de 23°C, vários passageiros vão reclamar de que ‘agora está muito quente’. Tenho saudades do tempo em que os ônibus tinham janelas que se podia abrir para entrar um vento.


onibus-movido-a-esgotoA democratização do mau cheiro

Tenho a nítida impressão de que o sistema de ar condicionado dos ônibus foi cuidadosamente planejado  para ‘sugar’ o ar do banheiro e espalhá-lo por toda a cabine de passageiros, excluindo a cabine do motorista, é claro. Basta que um passageiro vá ao banheiro e dê uma ‘boa cagada’ e pronto! O ônibus inteiro fica literalmente ‘cagado’. O mau cheiro é insuportável. Depois de algum tempo o mau cheiro diminui, mas a cada novo passageiro que faça uso do banheiro para esvaziar os intestinos, a coisa vai ficando cada vez pior. Imagine você viajar de São Paulo a Porto Alegre, mais de 1.100 Km! Certa vez, numa viagem de apenas quatro horas entre São Paulo e Jaú, já na segunda hora de viagem, nem o motorista aguentava mais e teve que conduzir o ônibus à garagem para trocar o banheiro químico. A sensação era a de estar viajando dentro de uma privada cheinha de merda e sem possibilidade de se dar a descarga.


petropenExplorando o viajante

Os pontos de parada para lanches e refeições são na verdade, pontos de exploração do viajante, dados os preços praticados. Mas há alguns lugares que oferecem em troca, bom atendimento, alimentos e lanches frescos e de boa qualidade. Entretanto, há lugares em que não é possível nem mesmo se tomar um cafezinho. Falta higiene e os alimentos (salgados) são visivelmente ‘não frescos’, restando ao passageiro apenas a opção de comprar produtos industrializados, tais como bolachas, salgadinhos, doces, etc. E paga por esses produtos preços que são uma verdadeira afronta. Vejamos um exemplo: uma garrafa de 500ml de água mineral é vendida nos ‘mercados de vila’ por R$ 1,00 a 1,50 (já paguei até R$ 0,90) já incluída aí a margem do comerciante. Em algumas rodoviárias ou locais de parada, a mesma água é vendida por aviltantes R$ 4,00 (Quatro Reais). E essa prática se estende a todos os demais produtos comegraalrcializados nesses locais. É sabido que nesses locais, o atendimento é de 24 horas, com funcionários trabalhando em pelo menos três turnos, o que torna os custos altíssimos para o comerciante, portanto é perfeitamente compreensível que as margens praticadas sejam maiores, mas o que acontece na prática é a prática de ‘preços abusivos’, uma espécie de suicídio comercial, pois os altos preços inibem o consumo e os produtos ficam mais tempo nas prateleiras. Se os preços praticados fossem mais justos, haveria maior giro e ambos seriam beneficiados, consumidor e comerciante. Mas o que prevalece é o ‘cérebro reptiliano puro’. Não se explora o negócio de viagens e turismo, explora-se o viajante e o turista.


viacao-reunidas-9Esticando as pernas

E falando em pontos de parada para descanso e lanche, grande número de empresas de ônibus não respeita os tempos máximos de permanência dos passageiros dentro do veículo, que é de quatro horas, preferivelmente menos. A Reunidas, por exemplo, em seus trajetos entre São Paulo e o sul do Brasil, fazem uma parada no Graal Buenos Aires em Registro/SP e depois só vão fazer nova parada para o passageiro, cerca de oito horas depois, já em Porto União/SC ou União da Vitória/PR. Há uma parada técnica em Curitiba mas os passageiros são impedidos de descer. A viagem se torna extremamente cansativa e penosa para as pernas. A mesma empresa Reunidas, em seu trajeto Chapecó/Joinville, faz ainda pior: o ônibus pára em todas as rodoviárias do trajeto, passa a noite inteira parando de rodoviária em rodoviária e somente depois que o passageiro foi bastante ‘judiado’, é feita uma parada para lanche já quase amanhecendo o dia. O motorista pára o ônibus em Xaxim, pára em Xanxerê, pára em Faxinal dos Guedes, pára em Ponte Serrada, pára em Catanduvas,lopes5 pára em Joaçaba, pára em Campos Novos, pára em Curitibanos, pára em Rio do Sul, pára em Indaial, pára em Blumenau, pára em Jaraguá do Sul e, finalmente, pára em Joinville. Parece que o motorista não vai mais parar de parar. Além disso, a passagem é extremamente cara. Sai mais barato e bem menos desconfortável, ir de Chapecó a Curitiba e depois, de Curitiba a Joinville. Chega-se em Joinville no mesmo horário, mas sofre-se bem menos e ainda se economiza algum dinheiro. Outro exemplo é a empresa Lopestur, que no trajeto de Chapadão do Sul/MS até Maringá/PR, cerca de 12 a 13 horas de viagem, pára apenas duas vezes para o passageiro almoçar e jantar. Mas, durante o trajeto, o motorista pára em todas as rodoviárias que encontra pelo caminho. Haja saco. Nem vou mencionar aqui outras empresas, pois o artigo ficaria por demais extenso, mas essa prática (a de não parar para o passageiro) é muitíssimo comum.


rodoviaria-paranaguaO conceito de tempo

Um fenômeno que vem acontecendo ultimamente e que não faz sentido, é a retirada dos relógios das rodoviárias. A rodoviária de Curitiba/PR, depois de passar por uma reforma por quase dois anos que não trouxe nenhuma melhoria, apenas foram acrescentadas escadas rolantes e catracas ‘verificadoras’ de passagens na área de embarque, teve todos os seus relógios retirados e não foram substituídos. Se por alguma razão, o passageiro não tiver um relógio ou estiver sem um celular, precisa ficar perguntando as horas aos transeunterodoviaria-presidente-prudentes, o que é bem desagradável. Na rodoviária de Paranaguá/PR (foto acima), o relógio simplesmente foi retirado sem motivo algum, e não foi substituído. Na rodoviária de Maringá não há relógios, apesar de ser uma rodoviária nova e com lay-out moderno, o mesmo se repetindo na rodoviária de Chapadão do Sul/MS. Alguém explica isso? Como pode não haver relógios justamente em locais de grande circulação de pessoas e onde horário é um fator importantíssimo? Outra coisa que se observa em algumas rodoviárias de cidades com grande fluxo de pessoas, é a falta de identificação da cidade. Quem chega nas rodoviárias de Chapecó/SC ou PRodoviaria_Chapecoresidente Prudente/SP, se estava cochilando um pouco antes, não tem a menor ideia de onde está. No caso da rodoviária de Presidente Prudente, está escrito em letras grande e bem visíveis o nome do sujeito homenageado quando da construção do terminal, mas não há identificação da cidade. Terminal Rodoviário Comendador José Lemes Soares. O que me interessa saber disso? O que eu quero saber é o nome da cidade em que cidade acabo de chegar. Na rodoviária de Chapecó não há sequer algo escrito, é uma incógnita. Isso para citar apenas duas. São incontáveis ocorrências iguais a essa por esse Brasil afora.


paradapramijarParada para mijar

Em trajetos curtos o passageiro não precisa mijar e não tem a menor necessidade de ter necessidades. Esse é o pensamento dos gerentes de itinerário da empresa Viação Cometa, pois os ônibus que fazem os trajetos de São Paulo/Jundiaí e São Paulo/Campinas simplesmente não tem banheiro. O raciocínio em parte está correto por se tratar de trajetos curtos, não fosse por um detalhe: São Paulo é uma cidade de congestionamentos monstros, de longos minutos de espera em filas e mais filas de carros parados nas principais vias, desde a Capital até Campinas, onde o problema de trânsito não é menor. Basta um pequeno acidente para que se fique parado por pelo menos meia hora na estrada. Então como é que fica o passageiro que pensando ser um trajeto curto e rápido, não se ‘preveniu’ antes? Simplesmente ele fica passando mal dentro do ônibus. Eu mesmo já passei por uma situação assim numa curta e rápida viagem de Campinas a São Paulo. Quando finalmente consegui chegar a um banheiro para me aliviar, eu estava quase transito-rodovia-bandeirantesdesmaiando de dor na bexiga. Dia desses, recentemente, numa viagem de Curitiba a Campinas passando pelo Terminal Tietê em São Paulo, desci do ônibus vindo de Curitiba, subi nos guichês, comprei a passagem para Campinas e desci rapidamente para embarcar pois o carro já estava quase de saída. Não tive tempo de ir ao banheiro no terminal e já estava meio ‘a perigo’ mas, para minha sorte, tive o bom senso de perguntar antes ao motorista se no ônibus tinha banheiro, ao que ele me respondeu que não. Então respondi: “Então não vou embarcar, esquece. Vou trocar a passagem. Pode ir embora”. Subi novamente nos guichês e o funcionário que cuzao-atras-da-mesame atendeu acabou ouvindo poucas e boas, apesar de não ser ele o culpado de tamanha imbecilidade. Troquei a passagem por outra em um ônibus com destino a uma cidade bem mais adiante, não me lembro agora qual, mas com a garantia de que haveria um banheiro. Como pode uma empresa como a Cometa ainda manter esse tipo de política? Isso era assim há trinta anos e é assim ainda hoje, nada mudou. Isso, com certeza, é o pensamento típico de um engenheiro ‘cuzão’ que fica sentado atrás de uma mesa em uma sala com ar condicionado e nunca na vida viajou de ônibus. Só pode ser!


viacao-sao-geraldo-fotoOs casos de sucesso

Para não dizer que não falei de flores, vou descrever uma que eu considero a melhor viagem que já fiz na vida. Foi de São Paulo a Salvador pela empresa São Geraldo. Sempre ouvi dizer que a empresa não tinha uma boa reputação, que era uma “Viação Cata Corno”, por isso, quando quis viajar a Salvador, fiquei bastante apreensivo quando soube que a única empresa que fazia o trajeto era a São Geraldo. Mas a viagem estava decidida então tive que ir. Em todo o trajeto, são quatorze paradas com intervalo entre as paradas de não mais que três horas e meia. Omilho-vapza intervalo entre algumas das paradas é de pouco mais de duas horas, de modo que os passageiros quase não precisam utilizar o banheiro do ônibus. A cada três paradas, o ônibus era recolhido à garagem e quando voltava, havia sido feita uma faxina em seu interior e o banheiro estava limpo e devidamente abastecido com papel toalha e papel higiênico. Os motoristas, funcionários e prepostos, sempre muito atenciosos com os passageiros. Os locais de lanche e alimentação nas paradas eram simples mas eficientes, vários deles tinham para vender coisas bem comuns e simples (e gostosas), tipo milho assado na brasa ou milho cozido emmilho-cozido espigas, e que a gente come de pé, mesmo, ao ar livre, o tipo de lanche que nos faz sentir bem à vontade, além de estimular as pessoas a conversarem a fazerem amizades. O grande número de paradas favorece a interação entre as pessoas e se faziam amizades facilmente. Isso sem falar num ‘causo’ com uma guria, na viagem de volta a São Paulo, o que me rendeu cerca de trinta horas de beijos e ‘amassos’ bem gostosos. Não sei se ainda é assim, mas fica aqui o meu registro, bem como os meus sinceros elogios à essa empresa que, com seus procedimentos contribui para tornar a viagem mais agradável e até mesmo inesquecível, seja para o turista, seja para o viajante.


A máfia do transporte de passageiros

logo-viacoesAs empresas de ônibus, em sua maioria absoluta, são sociedades anônimas (S/A) e são, portanto, controladas por um reduzido número de acionistas majoritários, cujo único interesse é o lucro, mais nada. Se for feita uma correlação entre as diversas empresas de ônibus de todo o Brasil, se chegará a um número bem reduzido de ‘Share Holders’, talvez não mais de meia dúzia. Uma verdadeira máfia, que nos últimos quarenta anos monopolizou o transporte de passageiros no Brasil, eliminando toda e qualquer possível concorrência em detrimento dos direitos dos passageiros e viajantes. Hoje no Brasil praticamente só existemDSCF0380 duas opções para se viajar: Avião ou ônibus. Trens de passageiros, muito comuns até os anos 50, foram desativados. Transporte por navios costeiros, desativados. Transporte por barcos, desativados, só permanecendo em regiões onde são a única alternativa além dos voos. Mas recentemente, houve uma vitória para os passageiros e viajantes: a travessia Guaíba/Porto Alegre que antigamente era feita por barcos e estava desativada há décadas, foi reativada com moderníssimos catamarãs. Agora se pode fazer a travessia do Guaíba em apenas vinte minutos e com muito conforto, o que antes levava uma hora de ônibus, desde que não ocorressem imprevistos, como congestionamentos, Ponte-rio-guaibaacidentes, ou parada na Ponte Getúlio Vargas para passagem de embarcações de grande porte. Então, desde que haja lucro, não importa o que os funcionários, motoristas e propostos da empresa estejam fazendo, nem como estejam fazendo. Há incontáveis relatos de abusos incidindo sobre funcionários e motoristas, que trabalham demais, não descansam o suficiente, sofrem descontos em seus salários por qualquer pequena falta, como por exemplo, o caso mais absurdo que já ouvi: se o funcionário da empresa prever um grande fluxo de passageiros para um determinado itinerário e colocar um carro extra à disposição, caso o carro não atinja a lotação mínima, a diferença é descontada do salário do funcionário, o que inibe completamente sua iniciativa em prol do conforto dos passageiros. Resumindo: o problema das empresas de ônibus não é passageiro.


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3 ideias sobre “VIAJANDO DE ÔNIBUS PELO BRASIL

  1. Sergio U Manes

    Eduardo, como Bel em TURISMO, adorei o seu post. Você prova com ele que o “empresário” nacional tem que evoluir muito. Se a PRF recomenda uma parada a cada 2h para o motorista e quando saiu a “lei” mandando haver a parada obrigatória, foi uma grita geral dos “empresários” pois eles não queriam seus escravos descansando muito e o CONTRAN alterou para 4h. Só que passageiro também cansa e as pernas incham. Ademais se estivessem preocupados com o “gado” que transportam saberiam que a temperatura ambiente ideal ( segundo estudo internacional) é de 22,5º e teriam preocupação com ergonomia (onde a VOLVO é campeã mundial). Mas a falta de opção (pois o Br é o único pais que desativa ferrovias) faz dos “empresários” de ônibus (segundo a receita federal existem 2000 empresas com 200 donos) uma “máfia de respeito”. Só no RJ tem empresário com + de 75 empresas, imagino Br afora. Alias no RJ é tudo deles, trens, ônibus, metrô e barcas. Quando será que irá aparecer novas SÃO GERALDO pra ver se melhora. E você fez muito bem em elogiar àquela em que se sentiu melhor pois no que depender deles é só conversa fiada.
    Parabéns
    Um abraço
    SENAM

    Resposta
  2. Eduardo ribeiro

    Nunca li nada tão real e escrito de tão bela ( simples e até engraçada ) forma !
    Parabéns…, eu adoro viajar de ônibus… , mas parando pra pensar…, lendo o texto…”me sinto o Conan ” agora..! Parabéns !! ainda válido …mesmo em 2016 !!!

    Resposta

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